sou membro recente da comunidade e andei pesquisando muito sobre os problemas do câmbio AL4 nos PUG e Citroens da vida. Fui proprietário de Vectra, Civic e Corolla automáticos e, hoje, sou o feliz proprietário de um C4 Pallas BVA GLX prata, ano/modelo 2011/2012, sendo que uma análise do carro em elevador me mostrou alguns detalhes técnicos preocupantes.
Inicialmente, pude perceber que há uma grande diferença nos sistemas de troca de calor dos câmbios Aisin e dos AL4, haja vista a existência de uma radiador de óleo à parte nos primeiros e de uma flange refrigerada com a água do sistema de refrigeração do veículo nos segundos. Tal fato já me parece um problema no que concerne à manutenção de uma temperatura em níveis mais baixos do óleo do câmbio automático, eis que a própria válvula termostática do motor impediria reduções mais expressivas na temperatura do óleo do câmbio AL4.
Cheguei a rodar mais de 80.000 kms no Vectra Next Edition que tive e a cor do óleo era sempre a dos fluidos ATF tradicionais, ou seja, um vermelho marcante, sendo que o custo de reparação nunca me assustou haja vista a utilização de óleos padrão DEXRON MERCON II ou DEXRON III tradicionais, muito baratos (faixa de R$ 15,00, por litro).
Me questionei se o problema não estaria especificamente na qualidade do fluido de óleo utilizado, que permitiria muito cisalhamento (desgaste) no período de assentamento das peças móveis do câmbio e, com isso, com o excesso de particulados microscópicos (que não seriam captados pelo filtro da caixa) em suspensão, destruiria as eletroválvulas, que passariam a ter sobre si todo o peso dos defeitos da caixa de marcha.
É muito falado que o problema estaria nas eletroválvulas da marca ACUTEX, utilizadas anteriormente às BORG WARNER, mas tive informações que a troca foi motivada mais por questões contratuais (de preço final praticado por fornecedores de peças) do que efetivamente por problemas técnicos da peças em questão. Se esta versão dos aftos é verídica, não tenho tecnbicamente como afirmar, mas é fato também que as eletroválvulas BORG WARNER não deram tanto trabalho como as utilizadas antes. O que posso afirmar é que as solenóides antigas trabalhavam dentro de uma faixa de onda quadrada de 50 Hz, ao passou que as novas trabalham com coisa de 100 Hz ou mais, para esquentarem menos durante seus ciclos de trabalho.
Me questionei também acerca das características do fluido ATF, que seriam necessárias para suportar uma operação em temperaturas mais altas, sob um sistema de troca de calor deficitário, sendo que as pesquisas na internet revelaram mais produtos que podem ser utilizados nos câmbios AL4 sem problemas.
O primeiro deles, fugindo da máxima de que apenas os óleos Mobil LT71141 e Pentosin ATF1 podem ser utilizados nos Citroen automáticos, é o Motul Multi ATF. Trata-se de um fluido moderno, com tecnologia sintética e que, em sua literatura técnica, deixa às claras ser uma opção às transmissões AL4. Curiosamente, nos sites brasileiros de representantes comerciais do óleo, esta informação não é veiculada e o consumidor paga cerca de R$ 70,00 (quando não mais... :icon_smile_8ball: ) por óleos semi - sintéticos quando poderia pagar o mesmo ou até menos por um óleo mais avançado e, com certeza, mais estável/durável sob condições críticas de serviço.
Este será o fluido que utilizarei na troca de óleo que realizarei no meu Pallas, quando o mesmo completar os seus primeiros 30.000 quilômetros, eis que tenho observado que, quase sempre, os relatos de quem teve o problema com o câmbio AL4 dão conta de que o fluido do câmbio estava imprestável, com coloração muito escura, cheiro de queimado (já li relatos que afirmam isto...), quantidade considerável de particulados metálicos (limalha mesmo! :65322: ) e viscosidade irremediavelmente comprometida.
Senhores, acho que o problema todo está no óleo e nas condições a que o mesmo é submetido quando o câmbio é utilizado.
Um óleo novo e de superior qualidade nos AL4, tendo já sido ultrapassado o período inicial de assentamento das peças metálicas móveis internas do câmbio, poderia ser a solução para uma vida útil bem longa do conjunto, superior até a de transmissões consideradas inquebráveis, como era a caixa Aisin que tive no Vectra.
Óbvio que, quando da troca, o software de contagem de queda de viscosidade do fluido terá de ser zerado e a programação do câmbio, visando mais suavidade, terá de ser atualizada.
Um outro fluido que substitui, como opção, os conhecidos Mobil LT 71141 e Pentosin ATF1, é o Castrol Mutivehicle ATF. Trata-se de outro produto que, no site da Castrol do Brasil, não traz em suas especificações técnicas (vide o link: <a href="http://www.castrol.com/liveassets/bp_in ... ATF_DT.pdf" target="_blank">Castrol</a>) a aptidão para ser utilizado nas caixas AL4, mas é um óleo que pode ser usado sem problemas nas mesmas.
Como sei disso?
Fuçando a internet, especialmente em sites estrangeiros, com as exigências que eram cumpridas pelos óleos Mobil LT71141 e Pentosin ATF1, comecei a achar produtos outros que atendiam exatamente aos mesmos requisitos, sendo que no caso do Motul Multi ATF, houve referência expressa de que atendia aos parâmetros dos fluidos ATF Mobil/Shell LT71141 e Pentosin ATF1 (vide o link: <a href="http://www.motul.com/system/product_des ... 1335542544" target="_blank">Motul Datasheet</a>). No caso do Castrol Multivehicle ATF. me chamou especial o índice de viscosidade bem mais elevado em comparação ao do fluido ATF1 da Pentosin. O Castrol tem índice 194 ao passo que o Pentosin tem índice 171, parecendo que o Castrol teria aditivação mais avançada no que concerne aos aditivos melhoradores do índice de viscosidade (Index Viscosity Improvers ou IVV's).
E que parâmetros são estes? Em que temos que nos basear para sabermos se há ou não compatibilidade de um fluido com as nossas caixas de marcha AL4?
Bem, basta ir ao link supramencionado (da ficha técnica do Motul Multi ATF) para observar quais são as especificações necessárias para atender as caixas de marcha da Citroen e da BMW, que usam o fluido LT71141, fixando principalmente os códigos abaixo alencados:
Aisin JWS 3309
Audi/Volkswagen G052162 A1/A2/A6
BMW 83229407807
Citroen Z000169756
Jaguar JLM20238
Mercedes-Benz 0019892203
Peugeot Z000169756
Porsche 99991754700
Rolls Royce PL 31493PA
Curiosamente, o site da Castrol nos EUA faz referência direta à compatibilidade do produto com os parâmetros exigidos pelas marcas BMW (LT71141 e Shell M 1375.4), Land Rover e Jaguar.
Vide o site no link:<a href="http://www.castrol.com/liveassets/bp_in ... portMV.pdf" target="_blank">Castrol USA</a>
Será que a solução para os problemas das caixas AL4 não passa por uma simples revisão dos procedimentos adotados para a manutenção destas transmissões? Ora, penso que já passou da hora de deixarmos de lado a questão do óleo "lifetime", já que não há nada em mecânica que seja "lifetime" (nem nós somos "lifetime"... :icon_smile_big: ) e que seria o caso de procurarmos, na verdade, baratear os custos para a aquisição dos fluidos ATF mais avançados (baixando o valor de compra, por litro, para coisa de no máximo R$ 30,00 {trinta reais}), de modo que se tornasse uma praxe uma primeira lavagem completa do sistema, a cada 30.000 ou 40.000 kms, por coisa de R$ 450,00 ou R$ 500,00.
A qualidade superior dos fluidos utilizados e a própria lavagem completa da caixa (incluindo o conversor de torque), em momento oportuno (anterior), permitiria estender a segunda troca do fluido, sem problemas de eletroválvulas e de software, para coisa de 70.000 ou 80.000 quilômetros.
Bom, no Brasil ainda há a opção de utilizarmos na transmissão AL4 o fluido da ELF, embalado como peça original para a Renault sob o título "Renaultmatic D3 Syn", que nada mais é do que um produto similar ao da Mobil (o LT 71141) fabricado pela petrolífera francesa.
O preço deste produto tem sido mais "camarada" (se é que é possível afirmar isto... :966283: ), sendo possível comprar o fluido por aproximadamente R$ 45,00, o litro, na internet.
Bom, pessoal, espero ter ajudado com opções extras de fluidos de excelente qualidade para os nossos carros. Não confio no Mobil LT71141 como melhor opção, eis que em fóruns internacionais, como o "Bob is the oil guy", é considerado custoso demais e de desempenho apenas mediano.
Optei por nivelar por cima e espero ter ajudado a todos. Um outro conselho que dou aos proprietários de Citroen diz respeito ao fluido de refrigeração do motor e da caixa automática. Pelo amor do bom Deus, não utilizem água de bica para completar o nível do reservatório de expansão dos veículos. Só usem água destilada/deionizada, ou melhor, "água de bateria" (de boa marca, de preferência) e aditivo sintético nos carros, para impedir problemas no sistema todo e, principalmente, para evitar furos no trocador de calor que fica na carcaça da caixa automática.
Um abraço grande e tomara que as informações por mim repassadas ajudam esta comunidade a ser mais feliz com os veículos Citroen automáticos.
Xamã
